Análise comportamental

A nossa personalidade é constituída pela combinação de cinco traços de caráter, que se desenvolvem essencialmente durante a infância, da gestação até os cinco anos de idade. Esses traços são formados em uma sequência de etapas físicas e emocionais e possuem padrões específicos de comportamento e de recurso. As experiências que vivemos são processadas de maneira consciente e inconsciente em estágios específicos de desenvolvimento, e a nossa percepção sobre essas experiências gera estímulos que moldam a nossa maneira de agir e reagir. Assim formamos o nosso comportamento e, ao ocorrer em paralelo ao processo de mielinização do sistema nervoso, promove adaptações neuromusculares de expressão corporal, que surgem de acordo com o desenvolvimento e o controle motor. Essas adaptações dão forma ao corpo.

 

Somos uma mistura complexa de traços de caráter. Cada um deles possui expressão corporal e sentimentos característicos. A combinação resultante determina conflitos emocionais, que podem se manifestar de maneira positiva ou negativa aos seus próprios interesses, a depender do enfrentamento individual aos desafios psicossociais do ciclo da vida. 

 

Utilizo uma técnica de análise corporal que foi desenvolvida a partir dos estudos de Sigmund Freud, Wilhelm Reich e Alexander Lowen, e combina princípios da psicologia analítica e da bioenergética para entender a personalidade e sua interação com o mundo externo. A análise revela conflitos emocionais que podem prejudicar o estado de saúde emocional e a vida, em todos os seus âmbitos. Os padrões de expressão corporal são avaliados em 6 etapas e um gráfico é gerado. Dessa forma, é possível identificar os traços de caráter mais marcantes, a origem de conflitos e, a partir disso, buscar recursos individuais para melhorar o comportamento.

Minha Abordagem

Nos últimos 5 anos, eu tive a oportunidade de ter um contato mais próximo com pacientes obesos submetidos a cirurgia bariátrica. Conheci pessoas incríveis que passaram por uma grande transformação e pude notar algumas diferenças entre elas. Percebi que algumas tinham plenas condições de atingir resultados sem cirurgia, mas não conseguiam mudar o estilo de vida e acreditavam que aquele procedimento era a única saída. Casos mais complicados obtiveram resultados satisfatórios com o procedimento cirúrgico, mas o mais interessante foi ver que nem todas conseguiram manter o peso perdido e voltaram a engordar com o tempo. Isso me fez refletir muito e eu pude notar que existia um padrão emocional por trás do comportamento dessas pacientes, que determinava o sucesso do tratamento, clínico ou cirúrgico. 

Com base no que eu vi e aprendi, entendi que uma pessoa com obesidade não precisa de uma folha de papel com um roteiro alimentar a ser seguido. Pelo menos não em um primeiro momento. É preciso trabalhar a relação com a comida, desenvolver a percepção de sinais de fome e saciedade e entender o papel que a obesidade ocupa na vida de cada pessoa.

Por isso, desenvolvi uma abordagem diferente de tratamento, que integra princípios da nutrição comportamental e psicologia analítica. Utilizo os conhecimentos que adquiri durante a prática clínica, científica, o convívio com meus pacientes e, principalmente, a história e a individualidade.

O trabalho é desenvolvido em etapas e pode ser conduzido sem dietas.

 

Comportamento alimentar & obesidade

 Alterações do comportamento alimentar estão dentre as principais causas de obesidade. A ingestão de alimentos hipercalóricos e pouco nutritivos vem da necessidade de corrigir um desequilíbrio emocional a partir da sensação de prazer e alívio que esses alimentos trazem.

 

Alimentos muito palatáveis, ricos em açúcar e gordura reduzem a atividade na rede neural de resposta ao estresse, reforçando esse hábito alimentar. Os desequilíbrios emocionais comprometem a função cognitiva e os processos inconscientes da tomada de decisão se tornam predominantes, influenciando as escolhas alimentares.

 

É por isso que você come brigadeiro mesmo tendo jurado para si mesmo que não ia fazer isso. Quando você se dá conta, já comeu... Por isso que saber o que faz bem não é suficiente para modificar a ingestão alimentar e ser uma pessoa mais "saudável". É por isso que tantas pessoas não conseguem seguir uma dieta, mesmo sabendo o que precisa ser feito. A motivação do comer não vem de uma necessidade fisiológica e sim de um desejo oculto. Isso explica, em parte, por que dietas restritivas não garantem resultados duradouros para pessoas obesas. Por isso, a importância de resgatar a percepção de sensações corporais, necessidades físicas e emocionais é fundamental para o tratamento da obesidade.